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Casarão de dois andares da Vila do Ventura, em Morro do Chapéu, ao entardecer, com a serra ao fundo

Cultura e História · Chapada Diamantina

Vila do Ventura

Onde a história do garimpo ainda permanece nas ruas, nos casarões e na memória de Morro do Chapéu.

  • Memória do garimpo
  • Patrimônio cultural
  • Morro do Chapéu · Bahia

Uma vila nascida do garimpo

A Vila do Ventura nasceu no contexto do garimpo de diamantes que se desenvolveu em Morro do Chapéu a partir da década de 1840. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) registra o garimpo na vila entre 1841 e 1932.

Primeiro veio o diamante. Depois, o carbonado, o chamado diamante negro, que ganhou comprador e levou a vila ao auge na década de 1920. Ventura é distrito de Morro do Chapéu desde 1906, segundo o IBGE.

Garimpo
1841 a 1932
Distrito
Desde 1906
Em 1914
Cerca de 3.100 habitantes
Em 1921, na vila
1.600 moradores

Linha do tempo

Os marcos da vila que têm registro em fonte oficial ou em documento da época.

  1. 1841Começa o garimpo

    O SGB registra o início do garimpo de diamante na vila, que segue até 1932.

  2. 1871O carbonado ganha comprador

    Até então, segundo o SGB, o carbonado não tinha valor comercial. O primeiro comprador citado é o francês A. Chibaribere.

  3. 1906Distrito de Morro do Chapéu

    Ventura é criado como distrito pela Lei Estadual 680, de 27 de agosto de 1906, segundo o IBGE.

  4. 12 jul. 1908Associação dos Empregados no Comércio

    Fundada para propagar e proporcionar a instrução literária e científica aos associados.

  5. 1914Cerca de 3.100 habitantes

    É o número que o SGB registra para a vila naquele ano.

  6. Anos 1920O auge do carbonado

    É a década de maior procura pelo diamante negro, segundo o SGB.

  7. 1921Um retrato da vila

    O jornal Correio do Sertão descreve 1.600 moradores na vila, umas 500 casas, 6 ruas, 2 praças e feira aos sábados.

  8. 1931O preço despenca

    O carbonado cai de 300$ para 100$ o grão, registra o mesmo jornal.

  9. 1932Fim do período de garimpo

    É o último ano do garimpo na vila registrado pelo SGB.

  10. 2004Tombamento provisório

    A vila tem registro de tombamento provisório pelo Estado desde 2004, segundo relatório do IPAC.

  11. 2025Preservação em pauta

    A Prefeitura se reúne com a comunidade em maio e visita a vila com o IPAC em setembro.

  12. 2026Inventário para o tombamento

    O IPAC abre a contratação da pesquisa e do inventário que vão instruir o processo de tombamento.

Diamante, carbonado e uma economia que atravessou fronteiras

A riqueza da vila saiu de duas pedras diferentes.

  • O diamante

    Foi o começo de tudo. O SGB registra o garimpo de diamante na vila de 1841 a 1932.

  • O carbonado

    O chamado diamante negro é uma variedade de diamante de uso industrial. Ia para ferramentas de corte, serras dentadas e coroas de perfuração.

  • O mercado

    As pedras eram vendidas em Salvador, depois de uma fase em que eram negociadas em Lençóis, e o carbonado seguia para a Europa.

A documentação histórica reunida pelo SGB associa o carbonado a grandes perfurações da época, como as do metrô de Londres e do Canal do Panamá. O mesmo levantamento cita a Ford, que chegou a consumir 10 mil quilates por ano, e a firma francesa Levy entre os compradores europeus.

Quando Ventura era uma vila em movimento

No auge, a vila tinha uma estrutura bem maior do que o tamanho de hoje sugere. É o que o SGB registra que existia na época.

  • Escola estadual
  • Delegacia de polícia
  • Teatro
  • Biblioteca
  • Agência dos Correios
  • Juiz de paz
  • Filarmônica
  • Três farmácias
  • Doze lojas comerciais

Estrutura histórica, não o que existe hoje. Em 12 de julho de 1908 foi fundada ali a Associação dos Empregados no Comércio.

Retrato de 1921

A vila vista por um jornal da época

Em 3 de julho de 1921, o jornal Correio do Sertão descreveu Ventura com “umas 500 e tantas casas, em sua maioria de ordinária construção, existindo porém alguns prédios de estilo moderno, formando 6 ruas e 2 praças”. A feira acontecia aos sábados, na praça Dias Coelho, e a vila tinha uma capela com invocação de Nossa Senhora da Conceição.

Publicado no Correio do Sertão e documentado pelo SGB.

Moradores na vila
1.600
Moradores no distrito
5.600
Casas
500 e tantas
Ruas
6
Praças
2

O que ficou: casarões e capela

Hoje a vila é bem menor. O SGB registra que ela “encontra-se atualmente reduzida a umas poucas casas”. Ficaram sobrados de dois andares, casas térreas coloridas e ruas calçadas de pedra, com a serra em volta.

A capela de Nossa Senhora da Conceição já aparece no retrato de 1921. Em 2013, o IPAC registrou que a igreja da vila tinha sido reconstruída.

Igreja branca e azul da Vila do Ventura, em Morro do Chapéu, no alto de uma escadaria de pedra caiada
A igreja da vila. Foto: Amy night, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Quando o ciclo do garimpo perdeu força

Em 30 de agosto de 1931, o Correio do Sertão registrava a queda do carbonado de 300$ para 100$ o grão. O SGB explica que ele foi “relegado a segundo plano devido à invenção de materiais tão adequados ou mais, menos caros”.

O período de garimpo registrado pelo SGB termina em 1932. Hoje vivem poucas famílias na vila.

“relegado a segundo plano devido à invenção de materiais tão adequados ou mais, menos caros”

Sobre o carbonado, no levantamento do SGB

Patrimônio e preservação

Situação atual

Tombamento provisório pelo Estado desde 2004

A Vila do Ventura possui registro de tombamento provisório pelo Estado desde 2004, segundo o relatório de 2011 do IPAC. O processo segue em andamento: em 2026, o instituto abriu a contratação da pesquisa e do inventário que vão instruir o tombamento. O trabalho inclui a proposta da área de preservação da vila e também cobre a Cidade das Pedras (Igrejinha).

  1. 2004Tombamento provisório

    A vila passa a ter tombamento provisório pelo Estado, registrado no relatório de 2011 do IPAC.

  2. 26 mai. 2025Reunião com a comunidade

    A Prefeitura se reúne com os moradores sobre regularização fundiária e preservação do patrimônio cultural.

  3. 30 set. 2025Visita com o IPAC

    A Prefeitura visita a Vila do Ventura e a Igrejinha com a equipe do IPAC.

  4. 15 jul. 2026Pesquisa e inventário

    O IPAC publica a contratação da pesquisa e do inventário para o processo de tombamento.

Fontes: IPAC, Relatório 2011; Prefeitura de Morro do Chapéu (notícias de 26/05/2025 e 30/09/2025); e IPAC, edital CE001.2026 no Portal Nacional de Contratações Públicas.

Arqueologia no território do Ventura

Além da vila, o território do Ventura reúne sítios arqueológicos com pinturas rupestres, registrados pelo IPAC nos Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina.

  • Toca da Figura

    Fica no caminho da cachoeira, com painéis de pinturas da Tradição Nordeste. Há figuras de cerca de um centímetro.

  • Toca do Pepino

    Sítio registrado pelo IPAC no caminho de volta da cachoeira, depois da travessia do rio.

  • Igrejinha (Cidade das Pedras)

    Afloramentos de arenito com forma de torres de sino, com pequenas pinturas de figuras humanas e de animais. Não é a igreja da vila.

Nos afloramentos de arenito perto da vila, o IPAC também registra abrigos com pinturas. As pinturas são frágeis: não toque nas paredes.

Perto da vila

  • Vista aérea da Cachoeira do Ventura cercada de mata verde, com a água caindo num poçoCachoeira

    Cachoeira do Ventura

    A queda cercada de mata que leva o nome da vila. Tem página própria, com o caminho e o que levar.

  • Casas térreas coloridas da Vila do Ventura diante da serra, com a rua de terra em primeiro planoCaminhos a pé

    Trilhas de Morro do Chapéu

    A caminhada até a Cachoeira do Ventura sai da vila. A página das trilhas reúne os caminhos a pé do município.

Foto das casas: Bahia074, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Planeje sua visita

O que as fontes informam, e o que ainda precisa ser confirmado.

Onde fica

Na zona rural de Morro do Chapéu. Ventura é distrito do município desde 1906.

O caminho

O acesso é por estrada de terra. Em dezembro de 2025, o Jornal da Chapada registrou que o caminho passa por uma cancela em propriedade particular e que, quando o rio Ventura transborda, os moradores ficam ilhados. Distância, tempo e condições da estrada devem ser confirmados antes de ir.

Na vila

A vila tem moradores. As fontes consultadas não informam horário de visita, cobrança nem estrutura de recepção. Respeite as casas, as propriedades e as áreas de pintura rupestre.

Fotos da vila

Artigos e histórias

O que o blog do Morro Guia já publicou sobre a Vila do Ventura.

Dúvidas frequentes

Onde fica a Vila do Ventura?

Na zona rural de Morro do Chapéu, na Bahia. Ventura é distrito do município desde 1906, segundo o IBGE.

Qual é a história da Vila do Ventura?

A vila nasceu com o garimpo de diamantes em Morro do Chapéu, a partir da década de 1840. O SGB registra o garimpo ali entre 1841 e 1932. Depois do diamante veio o carbonado, que levou a vila ao auge na década de 1920. Com a queda do preço do carbonado, o ciclo perdeu força.

O que foi o carbonado?

O carbonado, chamado de diamante negro, é uma variedade de diamante de uso industrial. Segundo o SGB, era usado em ferramentas de corte, serras dentadas e coroas de perfuração, e seguia para a Europa.

Como era a Vila do Ventura no seu auge?

Em 1914, a vila tinha cerca de 3.100 habitantes, segundo o SGB. Tinha escola, delegacia, teatro, biblioteca, correios, juiz de paz, filarmônica, três farmácias e doze lojas. Em 1921, um jornal da época contou 1.600 moradores na vila, umas 500 casas, 6 ruas e 2 praças.

A Vila do Ventura é tombada?

A vila tem registro de tombamento provisório pelo Estado desde 2004, segundo relatório do IPAC. O processo segue em andamento: em 2026, o IPAC abriu a contratação da pesquisa e do inventário que vão instruir o tombamento.

Existem sítios arqueológicos na região?

Sim. O IPAC registra no território do Ventura a Toca da Figura, a Toca do Pepino e a Igrejinha, com pinturas rupestres, além de abrigos com pinturas nos afloramentos de arenito perto da vila.

Explore mais

Fontes e créditos das fotos

Fontes: Serviço Geológico do Brasil, Geoparque Morro do Chapéu (2012), com trechos do jornal Correio do Sertão (1921 e 1931); IPAC, Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina; IPAC, Relatório 2011; IPAC, edital CE001.2026; IBGE, histórico do município; Prefeitura de Morro do Chapéu; Jornal da Chapada (dezembro de 2025).

Fotos: casarão ao entardecer e à noite, acervo do Morro Guia. Igreja: Amy night (CC BY-SA 4.0). Interior da igreja: Pecuarista (CC BY 4.0). Sobrado e casa azul: Seriguela (CC0). Rua: Bu896 (CC0). Rua calçada com as vendas: Naalis (CC BY-SA 4.0). Casa azul-clara: Joanamedrado (CC BY 4.0). Beiral e lanterna e casa antiga: Pecuarista (CC BY 4.0). Casas diante da serra: Bahia074 (CC BY-SA 4.0). Todas via Wikimedia Commons, categoria Vila do Ventura. Cachoeira: acervo do Morro Guia.

Casarão de dois andares da Vila do Ventura, em Morro do Chapéu, à noite, com a lua baixa no céu

Uma das páginas da história de Morro do Chapéu

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