CachoeiraCachoeira do Ventura
A queda cercada de mata que leva o nome da vila. Tem página própria, com o caminho e o que levar.
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Cultura e História · Chapada Diamantina
Onde a história do garimpo ainda permanece nas ruas, nos casarões e na memória de Morro do Chapéu.
A Vila do Ventura nasceu no contexto do garimpo de diamantes que se desenvolveu em Morro do Chapéu a partir da década de 1840. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) registra o garimpo na vila entre 1841 e 1932.
Primeiro veio o diamante. Depois, o carbonado, o chamado diamante negro, que ganhou comprador e levou a vila ao auge na década de 1920. Ventura é distrito de Morro do Chapéu desde 1906, segundo o IBGE.
Os marcos da vila que têm registro em fonte oficial ou em documento da época.
O SGB registra o início do garimpo de diamante na vila, que segue até 1932.
Até então, segundo o SGB, o carbonado não tinha valor comercial. O primeiro comprador citado é o francês A. Chibaribere.
Ventura é criado como distrito pela Lei Estadual 680, de 27 de agosto de 1906, segundo o IBGE.
Fundada para propagar e proporcionar a instrução literária e científica aos associados.
É o número que o SGB registra para a vila naquele ano.
É a década de maior procura pelo diamante negro, segundo o SGB.
O jornal Correio do Sertão descreve 1.600 moradores na vila, umas 500 casas, 6 ruas, 2 praças e feira aos sábados.
O carbonado cai de 300$ para 100$ o grão, registra o mesmo jornal.
É o último ano do garimpo na vila registrado pelo SGB.
A vila tem registro de tombamento provisório pelo Estado desde 2004, segundo relatório do IPAC.
A Prefeitura se reúne com a comunidade em maio e visita a vila com o IPAC em setembro.
O IPAC abre a contratação da pesquisa e do inventário que vão instruir o processo de tombamento.
A riqueza da vila saiu de duas pedras diferentes.
Foi o começo de tudo. O SGB registra o garimpo de diamante na vila de 1841 a 1932.
O chamado diamante negro é uma variedade de diamante de uso industrial. Ia para ferramentas de corte, serras dentadas e coroas de perfuração.
As pedras eram vendidas em Salvador, depois de uma fase em que eram negociadas em Lençóis, e o carbonado seguia para a Europa.
A documentação histórica reunida pelo SGB associa o carbonado a grandes perfurações da época, como as do metrô de Londres e do Canal do Panamá. O mesmo levantamento cita a Ford, que chegou a consumir 10 mil quilates por ano, e a firma francesa Levy entre os compradores europeus.
No auge, a vila tinha uma estrutura bem maior do que o tamanho de hoje sugere. É o que o SGB registra que existia na época.
Estrutura histórica, não o que existe hoje. Em 12 de julho de 1908 foi fundada ali a Associação dos Empregados no Comércio.
Retrato de 1921
Em 3 de julho de 1921, o jornal Correio do Sertão descreveu Ventura com “umas 500 e tantas casas, em sua maioria de ordinária construção, existindo porém alguns prédios de estilo moderno, formando 6 ruas e 2 praças”. A feira acontecia aos sábados, na praça Dias Coelho, e a vila tinha uma capela com invocação de Nossa Senhora da Conceição.
Publicado no Correio do Sertão e documentado pelo SGB.
Hoje a vila é bem menor. O SGB registra que ela “encontra-se atualmente reduzida a umas poucas casas”. Ficaram sobrados de dois andares, casas térreas coloridas e ruas calçadas de pedra, com a serra em volta.
A capela de Nossa Senhora da Conceição já aparece no retrato de 1921. Em 2013, o IPAC registrou que a igreja da vila tinha sido reconstruída.



Em 30 de agosto de 1931, o Correio do Sertão registrava a queda do carbonado de 300$ para 100$ o grão. O SGB explica que ele foi “relegado a segundo plano devido à invenção de materiais tão adequados ou mais, menos caros”.
O período de garimpo registrado pelo SGB termina em 1932. Hoje vivem poucas famílias na vila.
“relegado a segundo plano devido à invenção de materiais tão adequados ou mais, menos caros”
Situação atual
Tombamento provisório pelo Estado desde 2004
A Vila do Ventura possui registro de tombamento provisório pelo Estado desde 2004, segundo o relatório de 2011 do IPAC. O processo segue em andamento: em 2026, o instituto abriu a contratação da pesquisa e do inventário que vão instruir o tombamento. O trabalho inclui a proposta da área de preservação da vila e também cobre a Cidade das Pedras (Igrejinha).
A vila passa a ter tombamento provisório pelo Estado, registrado no relatório de 2011 do IPAC.
A Prefeitura se reúne com os moradores sobre regularização fundiária e preservação do patrimônio cultural.
A Prefeitura visita a Vila do Ventura e a Igrejinha com a equipe do IPAC.
O IPAC publica a contratação da pesquisa e do inventário para o processo de tombamento.
Fontes: IPAC, Relatório 2011; Prefeitura de Morro do Chapéu (notícias de 26/05/2025 e 30/09/2025); e IPAC, edital CE001.2026 no Portal Nacional de Contratações Públicas.
Além da vila, o território do Ventura reúne sítios arqueológicos com pinturas rupestres, registrados pelo IPAC nos Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina.
Fica no caminho da cachoeira, com painéis de pinturas da Tradição Nordeste. Há figuras de cerca de um centímetro.
Sítio registrado pelo IPAC no caminho de volta da cachoeira, depois da travessia do rio.
Afloramentos de arenito com forma de torres de sino, com pequenas pinturas de figuras humanas e de animais. Não é a igreja da vila.
Nos afloramentos de arenito perto da vila, o IPAC também registra abrigos com pinturas. As pinturas são frágeis: não toque nas paredes.
CachoeiraA queda cercada de mata que leva o nome da vila. Tem página própria, com o caminho e o que levar.
Caminhos a péA caminhada até a Cachoeira do Ventura sai da vila. A página das trilhas reúne os caminhos a pé do município.
Foto das casas: Bahia074, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
O que as fontes informam, e o que ainda precisa ser confirmado.
Na zona rural de Morro do Chapéu. Ventura é distrito do município desde 1906.
O acesso é por estrada de terra. Em dezembro de 2025, o Jornal da Chapada registrou que o caminho passa por uma cancela em propriedade particular e que, quando o rio Ventura transborda, os moradores ficam ilhados. Distância, tempo e condições da estrada devem ser confirmados antes de ir.
A vila tem moradores. As fontes consultadas não informam horário de visita, cobrança nem estrutura de recepção. Respeite as casas, as propriedades e as áreas de pintura rupestre.
O que o blog do Morro Guia já publicou sobre a Vila do Ventura.

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Na zona rural de Morro do Chapéu, na Bahia. Ventura é distrito do município desde 1906, segundo o IBGE.
A vila nasceu com o garimpo de diamantes em Morro do Chapéu, a partir da década de 1840. O SGB registra o garimpo ali entre 1841 e 1932. Depois do diamante veio o carbonado, que levou a vila ao auge na década de 1920. Com a queda do preço do carbonado, o ciclo perdeu força.
O carbonado, chamado de diamante negro, é uma variedade de diamante de uso industrial. Segundo o SGB, era usado em ferramentas de corte, serras dentadas e coroas de perfuração, e seguia para a Europa.
Em 1914, a vila tinha cerca de 3.100 habitantes, segundo o SGB. Tinha escola, delegacia, teatro, biblioteca, correios, juiz de paz, filarmônica, três farmácias e doze lojas. Em 1921, um jornal da época contou 1.600 moradores na vila, umas 500 casas, 6 ruas e 2 praças.
A vila tem registro de tombamento provisório pelo Estado desde 2004, segundo relatório do IPAC. O processo segue em andamento: em 2026, o IPAC abriu a contratação da pesquisa e do inventário que vão instruir o tombamento.
Sim. O IPAC registra no território do Ventura a Toca da Figura, a Toca do Pepino e a Igrejinha, com pinturas rupestres, além de abrigos com pinturas nos afloramentos de arenito perto da vila.
Patrimônio e tradições
Caminhos a pé
Cavernas e pinturas
Quedas do município
Atrativos do município
Fontes: Serviço Geológico do Brasil, Geoparque Morro do Chapéu (2012), com trechos do jornal Correio do Sertão (1921 e 1931); IPAC, Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina; IPAC, Relatório 2011; IPAC, edital CE001.2026; IBGE, histórico do município; Prefeitura de Morro do Chapéu; Jornal da Chapada (dezembro de 2025).
Fotos: casarão ao entardecer e à noite, acervo do Morro Guia. Igreja: Amy night (CC BY-SA 4.0). Interior da igreja: Pecuarista (CC BY 4.0). Sobrado e casa azul: Seriguela (CC0). Rua: Bu896 (CC0). Rua calçada com as vendas: Naalis (CC BY-SA 4.0). Casa azul-clara: Joanamedrado (CC BY 4.0). Beiral e lanterna e casa antiga: Pecuarista (CC BY 4.0). Casas diante da serra: Bahia074 (CC BY-SA 4.0). Todas via Wikimedia Commons, categoria Vila do Ventura. Cachoeira: acervo do Morro Guia.

A Vila do Ventura guarda o tempo do garimpo. Continue por outros lugares e tradições do município.
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